quarta-feira, 28 de abril de 2010

Apresentação das autoras


 
 Este blogue foi criado por 4 alunas de Licenciatura em Psicologia no Instituto Superior Miguel Torga em Coimbra. Surgiu-nos esta ideia aquando nos foi proposto, pela Professora Doutora Ana Galhardo a realização de um trabalho para a unidade curricular de Psicologia da Saúde. Assim optamos por realizar uma  breve pesquisa sobre "Prevenção de doenças durante a gravidez". 

*Objectivo do blogue: 

  • tem o intuito de definir Gravidez e as possíveis doenças que possam existir durante este período. 

  • Aprofundar a temática das doenças mais comuns e alertar sobre a importância da prevenção das mesmas.

  • e não menos importante, dar a conhecer os factores desencadeadores destas doenças. 
Agradecemos a vossa visita e esperamos ter esclarecido alguma dúvida existente,

Ana Rita Fernandes

Andreia Monteiro

Fabiana Teixeira 

Vanessa Roque

"A PREVENÇÃO É A MELHOR ARMA CONTRA A DOENÇA"


Gravidez


        “É uma experiência gratificante e excitante na vida da mulher e é acompanhada por fases de grandes transformações psicológicas e físicas. É um período que envolve mudanças e adaptações da grávida, do seu companheiro e das respectivas famílias.”  (Almeida, R. (2007))

         Segundo Bibring e col.(1961), a crise da gravidez é um período essencial do crescimento e integração maturativa da mulher.

Hormonas da Gravidez

Hormonas da Gravidez


A placenta produz várias hormonas necessárias à manutenção da gravidez

Gonadotropina coriónica humana (evita que os ovários libertem óvulos e estimula-os a produzir continuamente valores elevados de estrogénios e de progesterona, que são necessários para que a gestação prossiga)

Hormona que estimula a actividade da tiróide

Hormona estimulante dos melanócitos

Hormona que aumenta os níveis de hormonas supra-renais no sangue (provavelmente, a causa do aparecimento, por vezes, de umas estrias rosadas no abdómen)

Diabetes Gestacional



Diabetes é uma doença em que os níveis do sangue encontram-se alterados, nomeadamente a glicose encontra-se muito elevada (intolerância nos hidratos de carbono). Aquando em mulheres grávidas, esta subida não é muito favorável para o bebé.
Segundo Anna Gabriela Fuks, “a diabetes gestacional é o grau de intolerância à glicose que se inicia ou é diagnosticado pela primeira vez durante a gestação, sendo que, habitualmente, desaparece quando esta termina.” É de salientar que todas as pacientes com diabetes gestacional devem ser reavaliadas após a gestação.

Como pode afectar o bebé?
  • Complicações diabéticas a longo prazo (problemas de visão, doenças de coração e doenças renais)
  • Aumento da possibilidade de problemas de nascença (nascer antes do tempo, elevado peso ou muito pouco e apresentar níveis baixos de glicose no sangue)
  • Risco de nascer com alguma deficiência
  • Risco de abortar ou nascer nado-morto
  • Se a grávida já era diabética anteriormente ao engravidar, deve-se de controlar com muita frequência os seus níveis, a sua alimentação.
Prevenção:


  • Educação é a melhor forma de prevenção (treinar alguém na prática de um novo comportamento até que este se torne habitual - criação do hábito)
  • Alimentação (correcto regime alimentar)
  • Auto vigilância (peso, glicemias diárias, auto-observação dos pés, etc.)
  • Higiene corporal (cuidados com as unhas, com o calçado, etc.)
  • Tomada de consciência para os sinais de alarme das complicações agudas (hipoglicemia, acidose diabética)
  • Ter um estilo de vida saudável
  • Forma de actuar - gestão da medicação
  • Medição regular da glicemia (sobretudo após as refeições)
Em suma, tudo se passa ao nível da digestão, durante a qual os hidratos de carbono fornecidos pela alimentação são decompostos em moléculas de açúcar. Uma delas é a glicose, que é absorvida directamente pelo sangue mas precisa de ajuda para penetrar nas células - é a insulina, hormona produzida pelo pâncreas, que desbloqueia essa entrada. Numa pessoa com diabetes este mecanismo não funciona adequadamente e o resultado é níveis demasiado elevados de glicose no sangue.



Curiosidades:


  • A diabetes Gestacional representa aproximadamente 90% de todas as gravidezes complicadas por Diabetes.

  • A prova de rastreio deverá ser efectuada entre a 24.ªe a 28.ª semana, e caso dê negativo deve ser repetido às 32 semanas de gestação.


Problemas Habituais da Mulher Grávida

Problemas Cutâneos


Durante a gravidez, ocorrem várias alterações, como a forma do corpo e as alterações cutâneas - devido aos efeitos das hormonas da gravidez sobre a pele. Estas aparecem em praticamente todas as grávidas, no entanto, numas em maior medida e noutras em menor.

1. Manchas cutâneas. Hiperpigmentação da pele (aumento da pigmentação cutânea)

Algumas hormonas da gravidez exercem sobre as células produtoras de melanina um efeito estimulante que provoca o aumento da coloração da pele.

Mais evidente na(s):
Aréolas dos seios
Linha média do abdómen
Região genital e anal
Cicatrizes recentes.
Cloasma gravídico ou "máscara da gravidez" ou “pano” – Rosto
  • Mais frequentes nas mulheres morenas
  • Típicas manchas de cor amarela ou castanha (face, maças do rosto e nariz)
  • Desaparecem alguns meses após o parto
Após o parto, a pele vai progressivamente recuperando a sua cor normal.

Prevenção (para que as manchas não fiquem mais intensas):

Evitar a exposição intensa ao sol sem protecção (maior estímulo para as células produtoras do pigmento)
Cremes com filtro protector

2. Estrias

As hormonas da gravidez provocam uma perda de flexibilidade da pele
Distensão em algumas zonas do corpo rupturas nas camadas mais profundas marcas compridas na superfície da pele. (a partir do meio da gravidez) 
Formação: aumento excessivo de peso
Aparecem principalmente: 
  • Abdómen 
  • Seios 
  • Ancas 
  • Coxas  
  • Braços
Inicialmente como linhas grossas de cor vermelha escura - após o parto - ficam mais finas e adoptam uma cor mais esbranquiçada, embora não desapareçam totalmente.

Prevenção:
Controlo do peso
Aplicação de loções e cremes que aumentam a hidratação e a elasticidade da pele.


Problemas Digestivos


 
As hormonas da gravidez também afectam o aparelho digestivo. Estas diminuem a mobilidade do tubo digestivo, diminuindo a produção de secreções, e pelo crescimento do útero à medida que o feto se vai desenvolvendo no seu interior.

1. Problemas bucais

Gengivite - na qual as gengivas ficam inflamadas e, por vezes, sangram com facilidade.
• Formação de placa dentária
• Debilidade dos dentes - favorece o aparecimento de cáries dentárias.

Prevenção:

• Consulte um dentista
• Rigorosa higiene bucal (ex: utilização de fita dentária; escovar os dentes após todas as refeições; ligeira massagem das gengivas com a escova)
• Assimilação de alimentos ricos em cálcio

2. Náuseas e vómitos

• suspeita de uma gravidez
• ocorrem com uma maior frequência ao longo do primeiro trimestre
• mais frequentes ao longo da manhã

Prevenção:

• Evitar bebidas quentes ao acordar
• Dividir a refeição em várias doses e evitar comidas pesadas ou muito condimentadas, gorduras e fritos.
• Em condição normal as náuseas não são muito intensas, no entanto, caso estas sejam muito intensas e acompanhadas por vómitos muito frequentes, afectando a nutrição, a situação não deve ser considerada normal, devendo-se consultar o médico para que este avalie a situação.

3. Ardor de estômago

• Sensação de ardor ou queimadura na parte superior do abdómen, que sobe por trás do esterno até à garganta
• Comum na primeira parte da gravidez e, sobretudo, nos últimos meses
• Compressão do estômago pelo útero e o relaxamento das suas paredes
• Devido ao efeito das hormonas da gravidez favorece a passagem do suco gástrico para o esófago, com a consequente irritação da mucosa.

Prevenção:

• Divisão da refeição em pequenas doses
• Evitar as posições que favoreçam a compressão do estômago
• Após as refeições, a mulher apenas se deve deitar depois de algum tempo
• Caso os incómodos sejam intensos - recorrer à utilização de antiácidos (sob prescrição médica)

4. Obstipação e flatulência

• Efeito das hormonas da gravidez relaxa os intestinos, fazendo com que funcionem lentamente, costuma evidenciar-se um certo grau de obstipação.
• A flatulência é comum, sobretudo no início da gravidez (ex:quando a mulher engole ar para atenuar as náuseas)

Prevenção:

• Consumo de produtos ricos em fibra (verduras, cereais integrais)
• Abundante ingestão de água
• Evitar os alimentos que produzam gases.
• Manutenção de uma adequada actividade física (o sedentarismo favorece o problema
• Recorrer à utilização de laxantes (expressamente indicados pelo médico)

Vídeo 3D de um parto.



A tecnologia hoje em dia esta tão avançada que nos permite criar um parto em 3D. Natural ou cesariana.

Aborto


Um aborto é um final inesperado de uma gravidez antes da vigésima semana. O termo médico usado é aborto espontâneo.

O aborto é a maneira que o corpo encontra para terminar com a gravidez que não se está a desenvolver normalmente.

Termos referentes ao aborto:




  • Aborto inevitável - significa que o feto morreu e que nada se podia fazer para impedi-lo. 



  • Aborto completo - quando o útero expele todo o seu o conteúdo .



  • Aborto incompleto - quando só é expelido uma parte dos conteúdos no útero.
Uma dilatação e corretagem (D&C) ou procedimento de sucção pode ser exigido para remover o restante do feto ou da placenta.

Possíveis sintomas:

  • Secreção abundante proveniente da vagina sem sangue ou dor. Pode significar que a membrana se rompeu. (expressão que a bolsa de água rebentou)
  • Dor como se fosse uma cãibra no baixo abdómen
Como é diagnosticado?

Através de um exame pélvico para verificar o tamanho do útero e a condição do cérvix pedindo uma ecografia para verificar se a gravidez está fora ou dentro do útero (A gravidez fora do útero é chamada de gravidez ectópica).


O que acontece depois de um aborto?




  • Vai demorar de 4 a 6 semanas a recuperar.



  • Se tiver gravida há mais de 13 semana antes do aborto , pode ainda apresentar sintomas de gravidez e os seios ainda podem segregar leite.



  • Pode apresentar pontos sensíveis e desconforto por alguns dias.



  • Poderá fazer exercício de baixo impacto (caminhada e natação)

Como prevenir um aborto?

  •  Eliminar por completo o consumo de álcool e tabaco.
  • Seguir uma dieta adequada (consumir acido fólico)
  • Reduzir a quantidade de café
  • Consultar com o medico se a medicação que toma não é prejudicial para o bebé.
  • Se apresentar Hemorragias entrar em repouso absoluto e abster-se de relações sexuais pelo tempo recomendado pelo médico.
  • Vacinar-se contra doenças contagiosas (infecções).
Nota:

Muitas mulheres depois de um atraso menstrual, e ao perdem muito sangue no mês seguinte, associam a menstruação. Mas nem sempre assim é, pode dever-se a possibilidade de terem engravidado e expelido o embrião recém-formado.


  

Toxemia gravídica: pré eclampesia e eclampsia


Pré–Eclampsia  (Hipertensão induzida pela gravidez)

Afecta aproximadamente 10% das mulheres durante a gravidez (ou raramente, nas primeiras 72 horas após o parto)
Causa desconhecida (pode ser devido a um mau funcionamento da placenta)
Normalmente: indução do parto mais cedo (já que, logo que o bebé nasça e termine a gravidez, a pré-eclampsia acabará)

Causa:
Segundo Michelle Rizzo (2009), altos níveis de triglicerídeos durante a gestação estão associados a um aumento do risco de pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

Sintomas:
Vários graus de pré-eclampsia
  • Desde uma pequena subida da tensão arterial para o fim da gravidez e um pequeno aumento de proteína detectado na urina
  • Até uma grande subida da tensão arterial e uma grande quantidade de proteína encontrada na urina
  • Tensão arterial e urina são avaliadas nas consultas pré-natais

Pessoas com maior risco:

Pessoa que já teve esta doença anteriormente

Caso de pré-eclampsia na família

Idade superior a 40 anos

Índice de massa corporal superior a 35

Mulheres afectadas por hipertensão arterial, diabetes mellitus, insuficiência renal e obesidade

Alto nível de resistência insulínica

Mulheres que não tenham tido filhos anteriormente

Mulheres que têm gravidezes múltiplas


Prevenção:


Restrição da ingestão de sal

Identificação de mulheres com alto risco para complicações associadas à síndrome metabólica (hipertrigliceridemia, hipertensão arterial e hiperglicemia)

Contactar a parteira ou o médico

Analisar a tensão arterial e a urina com uma maior frequência (forma menos grave)

Ir ao hospital (onde serão dados medicamentos para baixar a tensão arterial), onde o bebé e a mão serão vigiados


Curiosidades:

Segundo Laurie Barclay, os resultados de um estudo prospectivo de coorte publicado no volume de maio do Epidemiology sugerem que o consumo de chocolate durante a gestação pode diminuir o risco de pré-eclâmpsia.


Bibliografia


Parker-Littler, C. (2008). Gravidez e Parto: perguntas e respostas – todas as dúvidas sobre gravidez e parto explicadas com sabedoria, compreensão e experiência. Porto: Civilização Editora.

Acedido a 18 de Abril de 2010, em: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?id=8346



Eclampsia
Caso a pré-eclampsia não seja tratada
Estado muito grave

Pode ter convulsões epilépticas com violentos espasmos musculares e perda de consciência

Défice na assimilação de oxigénio
  • Insuficiência respiratória aguda
  • Hemorragias cerebrais que originem sequelas neurológicas
  • Estado de coma irreversível
Vida da mãe e do bebé podem correr perigo

Causas:
A situação agrava-se, os edemas acentuam-se, a hipertensão arterial fica mais elevada, a função renal deteriora-se, o que provoca uma alteração metabólica que conduz a um quadro de eclampsia.


Prevenção:

Realização prematura do parto, normalmente através da prática de uma cesariana.





Hemorragia Vaginal

  • A gravidez implica a interrupção dos ciclos menstruais, não existe menstruação. 
  • Caso se observe  qualquer perda de sangue ao longo da gravidez, deve considerá-la como uma hemorragia anómala, o que indica a existência de um problema.
  • Deve-se diagnosticar a causa o mais rápido possível, já que pode pôr em perigo a continuação da gravidez (e a vida da mãe e do bebé.)
Prevenção:
  •  Dirigir-se ao médico. (independentemente da época em que se evidencia e das características das perdas de tecidos, mesmo que sejam indolores e não sejam acompanhadas por qualquer outro problema.)
  • O médico poderá realizar um exame ginecológico e realizar uma ecografia para poder determinar a situação e o estado do feto.
  • Consoante o diagnóstico, pode ser necessário efectuar análises de sangue e outros exames complementares.
  • É necessário também que a mulher permaneça em repouso absoluto.
Curiosidade:
  • Na maioria dos casos, trata-se de hemorragias obstétricas, ou seja, provocadas por complicações da gravidez, constituindo, por vezes, a primeira manifestação do problema.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Depressão


- A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de energia ou cansaço fácil. É um problema muito frequente, e é importante reconhecer os seus sintomas para poder tratar.

- A depressão e ansiedade na gravidez podem passar despercebidos, devido à associação que as mulheres normalmente fazem destes estados, com as mudanças de humor, que frequentemente acompanham a gravidez.

- A saúde emocional é tão importante quanto o bem-estar do seu corpo. Tanto é que a saúde física pode ser afectada pela emocional.

- A depressão durante a gravidez duplica o risco de parto prematuro e esse risco cresce em função da severidade dos sintomas.
Importa lembrar que o parto prematuro é a principal causa de mortalidade infantil, ainda que não se saiba exactamente porquê. Aquilo que se sabe é que uma gravidez é tão mais saudável quanto mais saudável for a placenta, e que esta é influenciada por hormonas, que por sua vez são influenciadas pelo cérebro. Assim, o aumento da eficácia no reconhecimento e diagnóstico de depressão durante a gravidez é fundamental para reduzir os riscos de parto prematuro e, consequentemente, de morte infantil.

Riscos
Investigações provaram que a depressão e a ansiedade aumentam o risco de parto prematuro. Se não forem tratados, estes estados podem prejudicar o desenvolvimento do bebe, bem como a sua capacidade de tratar dele e de si.

Sintomas:
– Tristeza persistente
– Desconcentração
– Ansiedade
– Extrema irritabilidade
– Distúrbios do sono (insónias ou sono constante)
– Extrema fadiga
– Excesso ou falta de apetite
– Fadiga

Causas– Histórico familiar ou pessoal de depressão
– Vida stressante
– Problemas com a gravidez
– Complicações em uma gestação anterior
– Problemas de fertilidade ou perda do bebé em uma gestação anterior

Incidência: uma em cada dez grávidas apresenta sintomas ou sofre mesmo de depressão.


Estudo publicado no "Human Reproduction"

As mulheres que sofrem de depressão durante a gravidez têm o risco aumentado de terem um parto prematuro, aumentando os riscos de saúde do bebé, sugere um estudo publicado no “Human Reproduction”.
Para o estudo, os investigadores da Kaiser Permanent Division of Research, na Califórnia, EUA, entrevistaram 791 mulheres que se encontravam na sua décima semana de gravidez e constaram que 41% das mulheres relataram sintomas significativos ou graves de depressão.
Os investigadores verificaram que, em comparação com as mulheres que não tinham sintomas de depressão, as mulheres com sintomas depressivos menos graves tinham um risco 60% maior de terem um parto prematuro, antes das 37 semanas de gestação, e as mulheres que tinham sintomas mais graves de depressão tinham o dobro de risco de terem um parto prematuro.
O estudo também indicou que factores de risco sociais e reprodutivos, a obesidade e o stress podem exacerbar a relação entre depressão e parto prematuro.
Em declarações ao sítio ScienceDaily, De-Kun Li, o autor do estudo, explicou que "a depressão durante o início da gravidez pode interferir com as vias neuroendócrinas e a subsequente função placentária. As funções neuroendócrinas e da placenta desempenham um papel importante na manutenção da saúde de uma gravidez e no início do trabalho de parto".
De-Kun Li acrescentou que "a depressão durante a gravidez é significativamente pouco reconhecida e pouco diagnosticada. Os médicos devem prestar muita atenção à depressão durante a gravidez para detectá-la a tempo".
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
23 de Julho de 2009

Hipertensão: Medição da pressão arterial




- A tensão arterial alta (hipertensão) pode existir antes da gravidez, mas, numa pequena percentagem de casos, surge durante a mesma.

- A hipertensão arterial grave na mulher grávida (mais de 180/110 mmHg) precisa de cuidados especiais. A gravidez pode agravar em grande medida a hipertensão e provocar edema cerebral, hemorragia cerebral, insuficiência renal, insuficiência cardíaca e até a morte.

A medição da pressão arterial é efectuada através de um aparelho denominado esfigmomanómetro, com a ajuda de um estetoscópio.

- Este é composto por uma braçadeira de tecido, que deve ser enrolada à volta do membro (braço ou perna) e que apresenta, no seu interior, uma meia manga insuflável ligada por um tubo a uma pêra de borracha; esta bomba serve para insuflar a meia manga e conta com uma válvula que permite a saída do ar, possibilitando a sua desinsuflação

- A pressão arterial é medida numa artéria de diâmetro médio superficial, como a braquial (no braço) ou, quando não for possível, na poplítea (na coxa). O paciente pode estar sentado ou deitado, mas sempre confortável e relaxado, algo que é muito importante para que os resultados não sejam distorcidos pelo efeito da ansiedade, o medo ou outro factor de stress.

- O médico, ou o enfermeiro, aplica e fixa a braçadeira do esfigmomanómetro à volta do braço do paciente, com a parte inferior a poucos centímetros da ponta do cotovelo. De seguida, palpa essa zona até detectar a pulsação da artéria braquial e coloca o diafragma do estetoscópio sobre a circulação do vaso, ajustando os auriculares aos ouvidos para poder auscultar os sons produzidos pelo fluxo de sangue na artéria. Depois, inicia-se a medição.
- Em primeiro lugar, ao apertar várias vezes a borracha de pêra, o médico enche a meia manga insuflável, de modo a que esta comprima fortemente o braço até ao ponto de impedir a circulação de sangue pelas artérias - este facto comprova-se perante a ausência de pulsação detectada através do estetoscópio (passo 1).

- Depois, sem perder de vista a escala graduada do manómetro, abre-se a válvula de saída da pêra e deixa-se sair o ar da meia manga, de modo a que a sua pressão diminua gradualmente e o sangue volte a fluir pela artéria controlada. Ao baixar a pressão da meia manga, o sangue recomeça a fluir pela artéria comprimida, algo que o médico percebe através do ruído, perceptível no estetoscópio, correspondente à primeira pulsação -- então, a escala reflecte a pressão máxima ou sistólica, produzida quando o sangue circula com mais força, coincidindo com a sístole ou contracção do coração (passo 2).

- Ao deixar sair mais ar da meia manga, o médico continua a ouvir os ruídos das pulsações (passo 3) até que finalmente detecta o momento, quando o sangue passa a circular livremente, em que as mesmas deixam de ser auscultadas - então, a escala reflecte a pressão mínima ou diastólica (passo 4).

A medição terminou: apenas tem que se desinsuflar totalmente a meia manga e retirar a braçadeira. O registo apresenta dois valores, por exemplo 120/80 mm Hg, pois regista a pressão sistólica e a pressão diastólica. O procedimento não provoca qualquer dor, somente uma ligeira compressão do braço, e dura apenas alguns minutos, com resultados imediatos, o que justifica a enorme difusão desta técnica.

Valores normais

Os valores da pressão arterial não são constantes e variam de pessoa para pessoa devido a diversos factores. No entanto, pode-se afirmar que os valores normais de pressão arterial de uma pessoa adulta, em repouso, situam-se entre os 100 e os 140 mm Hg, para a pressão máxima, e os 60 a 80 mm Hg, para a mínima. De qualquer forma, estes valores modificam-se consideravelmente com a idade, sendo mais baixos, regra geral, durante a infância e mais altos nos idosos, especialmente devido ao progressivo endurecimento dos vasos arteriais.

Placenta Prévia



A placenta prévia é a implantação da placenta no colo do útero (a parte interior do útero) ou perto do mesmo.

Sintomas: O primeiro sintoma é uma hemorragia vaginal repentina e indolor nas últimas fases da gravidez, que se pode tornar abundante; o sangue pode ser de cor vermelha viva. A ecografia é útil para efeitos diagnósticos e para diferenciar uma placenta prévia de uma que se desprendeu prematuramente (abruptio placentae).

Causas
Em caso de placenta prévia, encontra-se situada mais abaixo, muito próxima ou até mesmo revestindo o orifício interno do útero, mas sempre antes da parte inferior do feto enquanto que em condições normais, a placenta encontra-se implantada na parede da parte superior da cavidade uterina, no fundo do útero.

O problema é mais frequente:
–Nas mulheres com mais filhos
–Nas que têm a sua primeira gravidez em idades avançadas
–Nas que evidenciam problemas uterinos que dificultam a normal implantação do feto, como malformações congénitas, endometrioses, tumores, cicatrizes provocadas por infecções ou intervenções anteriores, entre outras causas.
–Nas fumadoras e nas afectadas por hipertensão, diabetes.

De acordo com a relação da placenta com o orifício interno do útero, é possível distinguir três graus do problema:
–Placenta prévia marginal, caso a extremidade chegue até à margem do orifício, mas não o revista;
–Placenta prévia parcial, quando apenas o reveste parcialmente;
–Placenta prévia total, caso o revista por completo.

Diagnóstico e tratamento
Caso se suspeite de um descolamento prematuro da placenta, devido ao aparecimento de uma hemorragia vaginal no último trimestre da gravidez, deve-se proceder imediatamente à hospitalização da grávida para se confirmar o diagnóstico e avaliar a sua situação. No hospital, deve-se efectuar um estudo ecográfico, de modo a determinar a existência de um hematoma retroplacentário, e uma monitorização cardiotocográfica, com vista a controlar o estado do feto.
A terapêutica depende do estado da mãe e do feto. Em caso da hemorragia ser ligeira e o feto se encontre em perfeito estado, deve-se manter um comportamento expectante, recomendando-se simplesmente que a mulher se mantenha em repouso na cama e, enquanto se aguarda pelo final da gravidez, que realize consultas regulares. Se a hemorragia for abundante, podem ser necessário várias transfusões de sangue. Se a perda de sangue for pouco importante e o nascimento não estiver iminente, normalmente recomenda-se o repouso na cama.
Quase sempre se faz uma cesariana, porque, se se deixar que chegue ao parto, a placenta tem tendência para se desprender com muita antecipação e isso pode impedir o fornecimento de oxigénio ao feto. Além disso, a mãe pode sofrer uma hemorragia maciça.

Incidência
O descolamento prematuro da placenta evidencia-se numa em cada 250 gravidezes.

Incompatibilidade do factor Rh


A incompatibilidade de Rh é a incompatibilidade do grupo Rh entre o sangue da mãe e do seu feto.

- Como resultado desta anomalia, a mulher pode produzir anticorpos contra os glóbulos vermelhos (eritrócitos) do feto. Estes anticorpos provocam a destruição de um número mais ou menos importante destas células, provocando por vezes a denominada doença hemolítica do recém-nascido, uma variedade de anemia.

- O grupo sanguíneo de uma pessoa é um conjunto de moléculas localizadas sobre a superfície dos eritrócitos que os identificam como específicos de cada indivíduo. O grupo sanguíneo Rh inclui algumas destas moléculas. Uma delas, a Rh0(D), costuma causar os problemas de incompatibilidade de Rh. Se as hemácias tiverem moléculas Rh0 (D), o sangue é Rh-positivo; se não as tiverem, o sangue é Rh-negativo.

- Os problemas surgem quando a mãe é Rh-negativo e o feto tem sangue Rh-positivo que herdou de um pai Rh-positivo. Parte do sangue fetal pode entrar em contacto com o sangue materno através da placenta, sobretudo nos últimos dias da gravidez e durante o parto. Se isso acontecer, o organismo da mãe pode tratar os glóbulos vermelhos do feto como elementos estranhos e produzir anticorpos para os destruir (anticorpos anti-Rh). Os níveis destes anticorpos da mãe aumentam ao longo de toda a gravidez e podem atravessar a placenta e chegar ao feto, onde podem destruir parte dos seus eritrócitos. Como resultado, pode desenvolver-se a doença hemolítica no feto (eritroblastose fetal) ou no recém-nascido (eritroblastose neonatal).

- No entanto, durante uma primeira gravidez, raramente surgem estes problemas porque, em geral, não há um contacto significativo entre o sangue do feto e o da mãe até ao momento do parto.

- Contudo, em cada gravidez posterior, a mãe fica cada vez mais sensibilizada perante o sangue Rh-positivo e produz anticorpos cada vez com maior antecipação.

- A destruição dos glóbulos vermelhos do feto pode provocar anemia e aumentar os valores de bilirrubina no sangue (um produto residual, proveniente da destruição dos eritrócitos). Se os valores da bilirrubina forem demasiado elevados, o cérebro do feto pode ser lesado.


Prevenção e Tratamento
- Na primeira consulta durante a gravidez, o medico faz um teste à mulher para determinar o seu tipo e grupo sanguíneo. Se for Rh-negativo, confirma-se o tipo de sangue do pai. Se este for Rh-positivo, medem-se os valores de anticorpos anti-Rh na mãe.

- Durante o parto pode-se dar um contacto entre o sangue materno e o fetal, o que pode fazer com que a mãe produza anticorpos. Por esse motivo, e como precaução, são injectados anticorpos anti-Rh na mãe Rh-negativo, sob a forma de imunoglobulina Rh0(D), nas 72 horas posteriores ao parto de um bebé que tenha sangue Rh-positivo, inclusivamente depois de um aborto espontâneo ou provocado. Este tratamento destrói qualquer célula fetal que possa sensibilizar a mãe, graças ao que as gravidezes posteriores não costumam ser perigosas.

- No entanto, em 1 % a 2 % dos casos, a injecção não evita a sensibilização, possivelmente porque a mãe foi sensibilizada no princípio da gravidez. Para evitar a sensibilização precoce de uma mãe cujo sangue é Rh-negativo, é aplicada uma injecção de anticorpos anti-Rh na 28.ª semana de gravidez, bem como depois do parto.

- Se forem feitas medições periódicas das alterações nos valores de anticorpos anti-Rh na mãe, o médico pode antecipadamente saber se o bebé vai ter potenciais problemas. Se os níveis de anticorpos anti-Rh da mãe subirem demasiado durante a gravidez, pode ser feita uma amniocentese. Para isso, insere-se uma agulha através da pele para obter uma amostra de líquido do saco amniótico, que rodeia o feto dentro do útero. Em seguida, procede-se à medição dos valores de bilirrubina na amostra deste líquido e, se forem demasiado altos, faz uma transfusão intra-uterina ao feto. De 10 em 10 ou de 14 em 14 dias fazem-se novas transfusões adicionais até à 32.ª-34.ª semanas de gravidez, altura em que se costuma provocar o parto. Em geral, depois de nascer fazem-se uma ou mais transfusões ao recém-nascido. Em casos menos graves, não se fazem transfusões até depois do nascimento.